terça-feira, 24 de abril de 2012

Mistérios da Meia-noite

Amanheceu o dia calado como a noite
entorpecido pela ausência do teu falar.
Precisei recorrer em pensamentos
lembranças boas pra poder, então, te abraçar.

Recordei-me do som do teu riso escancarado,
que demonstrava a falta de receio que tinhas de ser.
E me vi novamente admirando-te, tua beleza voluptuosa
que deixava minh'alma fascinada, à incandescer.

Doeu o peito quando senti o cheiro do teu perfume
era quase como se pudesse te tocar,
mas meus desvaneios escorriam por entre meus dedos
e tua imagem tão clara, num instante, tornava a embaçar.

Ah incerteza! Vai-te embora, deixa-o de volta constituir-me lar.


Nossas tardes tão curtas pra imensidão de nós dois
ressoavam em minha mente, deixando o coração a palpitar
teu olhar que silenciosamente falava mais que palavras
traduziam bem, o que em versos de amor, sempre procurei te dar.

Mas aquele dia feito noite, soprava vento frio
arrepiando cada vértebra, ouriçando meus pêlos de temor.
O tic tac lento do relógio, trazia à tona o grito preso na garganta
evidenciado no choro forte de dor.

Ah coração, seja forte! é temporária essa solidão!


Foi quando senti repentino, teus braços no meu,
e a certeza que no peito, na realidade, nunca deixou de habitar.
Pois com um sopro de Deus eu sabia:
Meu amor, fomos feitos eternamente, pra durar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não é rosa.


Sempre soube que não éramos como as outras flores.
Esses outros amores, que começam para terminar.
Somos mais como uma espécie distinta,
que dizem estar extinta, por ser tão rara de encontrar.
Florescemos desde o primeiro momento,
no último alento de esperança que há no coração.
Machucamo-nos por certo entre nossos espinhos,
mas nosso caminho, tinha como rumo o céu.
Que se descobre no abrir das pétalas da rosa,
certamente a flor mais formosa,
feitura de Deus em Seu primeiro jardim.
Traduzimos o significado do amor mais verdadeiro,
eterno companheiro, que do impossível fazia mel.
Éramos fortes, inabaláveis,
possuidores da cor mais vívida que não descolore,
lágrimas que não mais escorrem, pois quem ama, quer lutar.
Somos como uma rosa meu bem,
o bem-me-quer eterno do outro,
o sorriso que perdura no rosto,
que na companhia sublime, se perfaz.
Nossa rosa não é como todas as outras,
é rara,
não é rosa,
é azul.



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Inconsciente tormenta.

Acordei meu bem, nessa madrugada
assustada com o que vi diante de mim.
Tua mão soltava a minha,
e no escuro da estrada, de ti me perdi.
Sentei-me chorando no mesmo lugar
por horas a fio tentando entender,
porque me soltastes e me deixastes sozinha
se o que eu mais queria, era contigo envelhecer.
Levantei-me depois de um tempo
e boba como sou insisti em te procurar,
andei por quase todas as ruas
e bem longe, pensei ter te visto parado, como que a pensar.
Parecias feliz, agora que finalmente, estavas sem mim.
E por mais que doesse o peito,
depois de dilacerado o coração,
despedi-me de ti ali mesmo, distante,
e corri desesperada pra abraçar a solidão.
Vi-me ainda, sentada na beira da cama,
de alma rasgada, pelas muitas madrugadas choradas
e não me reconheci.
Por mais que depois de um longo tempo,
tenha voltado a ficar de pé,
notei que meus passos nunca mais foram os mesmos
pois além de dominados pelo medo
sofriam por ter deixado ir, o amor mais verdadeiro,
que um dia tive pra mim.
...
Então me diz meu amor:
hás de comigo eternamente ser?
Não posso mais imaginar a dor de ires embora,
fica meu bem, tem-nos faltado apenas, amanhecer.